porque, do contrário, não serias apenas um prato de doce
(texto escrito originalmente em 26 de julho de 2009, mas não publicado sabe-se lá por quais cargas d´água)
Como morfina às avessas, preciso gerar dor para sentir conforto: a dor me mantém vivo, e me saber vivo no meio desse inferno urbano de noites pegajosamente úmidas e de manhãs mornas e nauseantes é confortante.
Como um dom às avessas, te juro!, não faço isso de propósito. É tão comum pra mim sair por aí usando essa amardura cheia de pontas afiadas para ferir quem eu, que, se te firo, meu bem, acredita, não é por mal: é por hábito.
Não que eu precise explicar algo, mas. Talvez eu precise. Não sei. Não pra ti, mas pra mim. Pra tentar me entender e me sentir um pouco mais humano, um pouco mais que carne, um pouco mais do que qualquer coisa que dure um pouco mais do que a eternidade efêmera dos 5 minutos de todo o sempre.
Só não sei o porquê já que acho a humanidade e suas debilidades sentimentais tão desprezíveis.
Eu queria te dizer que eu te desejei com toda a dor do mundo durante meses depois de ter ido e vindo e me matavas um pouco a cada dia pois me deixavas sem saber se tanto deslocamento tempo-espeço tinha sido em vão ou não, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante algumas semanas em que não sabias se voltavas ao passado ou se arriscavas o novo e me matavas um pouco a cada instante com tuas incertezas, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante alguns dias enquanto tentava te afastar mesmo te querendo cada mais perto e que me matavas a cada tempo com tua submissão, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante 24h e sofri voltando sozinho do aeroporto sabendo quem não daria em nada porque do outro lado ela te esperava na tua ilusão porque ela nunca te esperou e me matavas a cada instante com olhares de fuga.
E a dor passou porque o teu silêncio. E a dor passou porque a tua indecisão. E a dor passou porque a tua aceitação. E a dor passou porque a tua distância.
E porque eu invento dores e porque elas se dissolvem borbulhantes como ácido na água e porque eu sinto frio e fome e me aqueces e me alimentas e então eu sinto sufocar e nausear até que o vômito se derrama por cima de ti.
Eu busco a dor e a dor só vem com a morte e eu mato cada um porque preciso de algo mais que carne, mais que vinho, mais que fluídos, mais que cigarros, mais que entranhas. Eu preciso de algo mais. Mais-mais-mais. Sempre mais, coração. Eu preciso dessa transcendência dolorida que só a morte traz. E por isso te apunhalo sempre que pensas em dizer que me amas, porque o amor é insuportável pra quem precisa transcender.
Me desculpa se te manipulo, mas, acredita, beibe, isso tudo dói bem mais em mim.
(texto escrito originalmente em 26 de julho de 2009, mas não publicado sabe-se lá por quais cargas d´água)
Como morfina às avessas, preciso gerar dor para sentir conforto: a dor me mantém vivo, e me saber vivo no meio desse inferno urbano de noites pegajosamente úmidas e de manhãs mornas e nauseantes é confortante.
Como um dom às avessas, te juro!, não faço isso de propósito. É tão comum pra mim sair por aí usando essa amardura cheia de pontas afiadas para ferir quem eu, que, se te firo, meu bem, acredita, não é por mal: é por hábito.
Não que eu precise explicar algo, mas. Talvez eu precise. Não sei. Não pra ti, mas pra mim. Pra tentar me entender e me sentir um pouco mais humano, um pouco mais que carne, um pouco mais do que qualquer coisa que dure um pouco mais do que a eternidade efêmera dos 5 minutos de todo o sempre.
Só não sei o porquê já que acho a humanidade e suas debilidades sentimentais tão desprezíveis.
Eu queria te dizer que eu te desejei com toda a dor do mundo durante meses depois de ter ido e vindo e me matavas um pouco a cada dia pois me deixavas sem saber se tanto deslocamento tempo-espeço tinha sido em vão ou não, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante algumas semanas em que não sabias se voltavas ao passado ou se arriscavas o novo e me matavas um pouco a cada instante com tuas incertezas, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante alguns dias enquanto tentava te afastar mesmo te querendo cada mais perto e que me matavas a cada tempo com tua submissão, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante 24h e sofri voltando sozinho do aeroporto sabendo quem não daria em nada porque do outro lado ela te esperava na tua ilusão porque ela nunca te esperou e me matavas a cada instante com olhares de fuga.
E a dor passou porque o teu silêncio. E a dor passou porque a tua indecisão. E a dor passou porque a tua aceitação. E a dor passou porque a tua distância.
E porque eu invento dores e porque elas se dissolvem borbulhantes como ácido na água e porque eu sinto frio e fome e me aqueces e me alimentas e então eu sinto sufocar e nausear até que o vômito se derrama por cima de ti.
Eu busco a dor e a dor só vem com a morte e eu mato cada um porque preciso de algo mais que carne, mais que vinho, mais que fluídos, mais que cigarros, mais que entranhas. Eu preciso de algo mais. Mais-mais-mais. Sempre mais, coração. Eu preciso dessa transcendência dolorida que só a morte traz. E por isso te apunhalo sempre que pensas em dizer que me amas, porque o amor é insuportável pra quem precisa transcender.
Me desculpa se te manipulo, mas, acredita, beibe, isso tudo dói bem mais em mim.