quarta-feira, 14 de março de 2012

Do contrário

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porque, do contrário, não serias apenas um prato de doce
(texto escrito originalmente em 26 de julho de 2009, mas não publicado sabe-se lá por quais cargas d´água)

Como morfina às avessas, preciso gerar dor para sentir conforto: a dor me mantém vivo, e me saber vivo no meio desse inferno urbano de noites pegajosamente úmidas e de manhãs mornas e nauseantes é confortante.
Como um dom às avessas, te juro!, não faço isso de propósito. É tão comum pra mim sair por aí usando essa amardura cheia de pontas afiadas para ferir quem eu, que, se te firo, meu bem, acredita, não é por mal: é por hábito.
Não que eu precise explicar algo, mas. Talvez eu precise. Não sei. Não pra ti, mas pra mim. Pra tentar me entender e me sentir um pouco mais humano, um pouco mais que carne, um pouco mais do que qualquer coisa que dure um pouco mais do que a eternidade efêmera dos 5 minutos de todo o sempre.
Só não sei o porquê já que acho a humanidade e suas debilidades sentimentais tão desprezíveis.
Eu queria te dizer que eu te desejei com toda a dor do mundo durante meses depois de ter ido e vindo e me matavas um pouco a cada dia pois me deixavas sem saber se tanto deslocamento tempo-espeço tinha sido em vão ou não, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante algumas semanas em que não sabias se voltavas ao passado ou se arriscavas o novo e me matavas um pouco a cada instante com tuas incertezas, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante alguns dias enquanto tentava te afastar mesmo te querendo cada mais perto e que me matavas a cada tempo com tua submissão, e que eu te desejei com toda a dor do mundo durante 24h e sofri voltando sozinho do aeroporto sabendo quem não daria em nada porque do outro lado ela te esperava na tua ilusão porque ela nunca te esperou e me matavas a cada instante com olhares de fuga.
E a dor passou porque o teu silêncio. E a dor passou porque a tua indecisão. E a dor passou porque a tua aceitação. E a dor passou porque a tua distância.
E porque eu invento dores e porque elas se dissolvem borbulhantes como ácido na água e porque eu sinto frio e fome e me aqueces e me alimentas e então eu sinto sufocar e nausear até que o vômito se derrama por cima de ti.
Eu busco a dor e a dor só vem com a morte e eu mato cada um porque preciso de algo mais que carne, mais que vinho, mais que fluídos, mais que cigarros, mais que entranhas. Eu preciso de algo mais. Mais-mais-mais. Sempre mais, coração. Eu preciso dessa transcendência dolorida que só a morte traz. E por isso te apunhalo sempre que pensas em dizer que me amas, porque o amor é insuportável pra quem precisa transcender.
Me desculpa se te manipulo, mas, acredita, beibe, isso tudo dói bem mais em mim.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

366

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porque, há praticamente um ano atrás, ele previu

Todo início de ano bissexto, as meretrizes suspiram, aliviadas: nada de envergonhar-se com beijos alheios de elevadas temperaturas. É tudo muito simples: nas segundas, quartas e sextas, um leve aperto de mão; nas terças e quintas, um caloroso abraço; nos finais de semana, um respeitoso beijo na bochecha; e nos feriados, um "selinho" à moda antiga. Quando é mesmo o próximo feriado?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Do vômito

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(texto originalmente escrito na quarta-feira, 5 de agosto de 2009)
porque nem sempre chá de boldo resolve

Não seria bem essa a palavra, mas é curioso como as pessoas, os sentimentos e toda a ordem de coisas muda tão facilmente: saí do cinema pensando em dizer chega! esquece tudo! não dá mais! tá na hora de mudar: te amo muito e te quero mais do que tu pode supor. Mas. Fui deitar pensado em dizer chega! esquece tudo! não dá mais! tá na hora de mudar: te odeio muito e não te quero mais, se é que tu pode supor. Mas. O que acontece todo o sempre - e o sempre é o sempre desde a criação, biblicamente falando, é, é isso mesmo, desde que deus, ou algo que o valha, resolveu criar homens e almas, supondo que almas não morram e se reencontrem num processo kármico, devemos ter nos encontrado e reencontrado e rereencontrado muitas vezes e nunca devemos ter falado a mesma língua - é que nunca falamos a mesma língua 
Pausa para explicação (não que eu subestime meu leitor, se algum há, mas porque quero entender isso depois): só vomito o que aqui está. e ninguém pára, olha para o próprio vômito, remexe, distribui melhor os resíduos, coloca os grãos de arroz integral de um lado, os de proteína de soja do outro, ao lado dos legumes, tudo lindamente tingido por vinho tinto. não. as pessoas só vomitam e passam o pano e dão a descarga e dão as costas. enfim. não vou remexer meu vômito. vou apenas vomitar e passar o pano e dar a descarga e dar as costas. Fim da pausa para explicação. 
é que nunca falamos a mesma língua. Era aqui que eu estava, não?! Pra que falar? Não sinto vontade de me lamentar. Não mais. Nem mesmo de chorar. Não mais. E por que eu escrevo? E por que eu vomito? Não faz diferença. Nada nunca fez diferença. Nem sei mais se dói. É um torpor, sabe?! E Lady Macbeth não me sai da cabeça: ao leito! ao leito! ao leito!o que está feito está feito. Só sei que, sempre que vomito, meu fígado agradece.



Inexistência

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porque, nem diamantes, nem tatuagens: a eternidade não existe

Riscou com caneta bic duas das facetas do diamante. Como podia enxergar os inícios dos fins com tamanha clareza? Meses depois, riscou as outras duas.
Por ora, a caneta bic dá conta.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Das intuições

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não sei porque

Não existe outra explicação pra esse. Não há como provar. Apenas sei. Sinto e sei. E ninguém acredita. E quase sufoco. E preferia não. E tento me enganar, mas. Eu sei.

quarta-feira, 2 de março de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Das dificuldades

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porque é preciso constar

Difícil sair da cama quando ela ganha braços e pernas e mãos e pés e dedos de tamanho proporcionalmente inverso ao seu.