quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Das opções

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porque, com 5 planetas em libra...

- Ai!, pra que tantas opções?! Melhor teria sido só um miojo.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Das imagens

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porque toda oralidade é visível


O teu verbo gera uma imagem acústica desconexa. O teu verbo gera uma imagem visual disléxica. Eu te ouço. Eu te leio. Mas. Talvez essa falta de entendimento se dê porque és uma incógnita. Ou: talvez eu tenha te concedido uma aura de mistério porque, te sabendo tão banal como qualquer outra forma humana, não terias graça, talvez tudo em ti seja tão óbvio que eu não consiga aceitar como alguém pode ser assim, tão óbvio, e fico inventando magias pra te tornar, de fato, interessante. Ou ainda: tudo pode não passar de um simples problema de semântica. Acústica e visual, mas, ainda assim, semântica.

Imagem: Wordle

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Do pão seco

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porque, especificamente, havia um porquê(?)

Ele partiu por entre aquela selva com um pedaço de pão seco no bolso. Pena ter esquecido de espalhar migalhas pelo caminho. E esqueceu?

*

E agora? Agora chora, coração. Chora até cansar, até o corpo pedir cama, até a alma pedir leito, até ambos pedirem morte. Chora até que a noite vire madrugada e até que a madrugada vire dia e até que amanheça em ti o cansaço. Depois, criança, respira fundo e pensa que o-que-passou-passou e que o-passado-não-volta e que quem-vive-de-passado-é-museu e tenta com isso te enganar mais um pouco, como se realmente fosses capaz de fingir que não sentes nada, que tudo é passado e que o-que-passou-passou e blablabla. Bom, talvez até sejas capaz de fingir, mas onde te levará esse fingimento?

Se é isso que te convém, meu bem, então acredita; mas acredita pra-valer, acredita com-força. Não vem choramingar lembranças no meu colo. Não me pede pra ficar um pouco mais. Afinal, tu acreditas justamente no oposto, não é mesmo?! Então minha companhia não passa de um passa-tempo e o tempo passa e se perde e se torna mais passado e, sabe como é né?!, o-que passou-passou e blablabla e não queremos mais tempo perdido - visto que tempo passado é tempo perdido quando o que resta é.

Não, não resta nada. Se queres mesmo acreditar, acredita nisso: não resta nada. Nada além de provas materiais. Cartas, fotos, tickets de embarque, guardanapos de restaurantes, livros, discos. E a matéria é tão frágil. Bebe os últimos goles de absinto que restam na garrafa e joga-a fora - acabar com as provas faz parte do processo. Quanto às outras, se não tiveres coragem, o tempo se encarregará delas - nada resiste a ele. E a ele entrega também as outras-outras provas, aquelas que negas a existência, aquelas que estão impressas no teu peito e estampadas nos teus olhos, pois bem sabemos que há muito mais do que matéria nisso, por mais que não admitas.

Entrega o que há, acredita que não há mais nada e abandona. Abandona a falta. E, feito isso, eu te desejo que nada te falte, seja na crença ou na descrença; te desejo toda a sorte de coisas para que tuas escolhas se efetivem. E eu, mesmo sem querer, sempre estarei aqui, por mais que essa seja mais uma das tuas negações, eu estou aqui, minha criança, porque sou parte de ti.

Chora, meu amor, chora. Tudo é dor e toda dor passa. Acredita!