quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Dos atos higiênicos

porque, vez que outra, lavar as mãos é necessário

Talvez por isso, talvez por aquilo, talvez por aquilo outro, de qualquer forma: talvez. Talvez por algum motivo que ainda desconheço - ou que prefiro ignorar justamente por conhecer bem, bem até demais -, te concedi poderes, te fiz andorinha.
Talvez por acaso, talvez por ironia, talvez porque a vida não passa de uma quadrilha sem fim, ele lembrou de mim e me fez lembrar de ti:
"Quando fazemos tudo para que nos amem, e não conseguimos, resta-nos um último recurso, não fazer mais nada. Por isso digo, quando não obtivermos o amor, o afeto e a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce ou não espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho: o de mais nada fazer.
Um ato desencadeia outro: comecei lavando as mãos e agora lavo o corpo e alma com rosas brancas e mel.

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Referência:

¹ LISPECTOR, Clarice. Inutilidade.

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