porque, quiçá, as amoras tenham mofado
Três meses se passaram e nada aconteceu. Ninguém estranharia se, ao lhe perguntarem, ele respondesse: moro na Terra do Nunca, onde nada nunca acontece. Mas ninguém lhe perguntaria. Há tempos ele esquecera o mundo, assim como o mundo o esquecera. Quem esqueceu quem primeiro? Que diferença isso faz? Ambos viviam desconexos. E viviam? O mundo, talvez; ele.
Três meses se passaram e nada aconteceu. Se não vivia, ou se vivia quase sem viver, ou se sobrevivia, ou se morria, ou se... por que essa ânsia em contabilizar o tempo? Um, dois, três meses. Que diferença isso faz? Talvez fosse como o louco por quem, certo dia, passara. O louco, do lado de dentro do pátio do hospício, através das grades, perguntou se ele tinha horas, e ele, do lado de fora do pátio do hospício, através das grades, muito docemente, perguntou se ele iria a algum lugar.
Três meses se passaram e nada aconteceu. Nem uma única palavra dita. Nem uma única linha escrita. Toda aquela dor não motivou nada? Todo aquele desespero em sair correndo ao ver o táxi partir, em entrar no primeiro supermecado e comprar a primeira caneta e o primeiro bloco que viu pela frente porque precisava vomitar coisas sobre dragões e sobre avencas não resultou em nada? E depois acordar de madrugada sem ao menos ter dormido pra atravessar a cidade e chegar ao aeroporto antes que o vôo partisse apenas para... não gerou nada? Que diferença isso faz?
Três meses se passaram e nada aconteceu. E não faz diferença em que mundo ele vive-sobrevive-morre. E não faz diferença se ele está dentro ou fora do pátio do hospício. E não faz diferença se tudo deu em nada. Porque nada nunca acontece.
Três meses se passaram e nada aconteceu. Ninguém estranharia se, ao lhe perguntarem, ele respondesse: moro na Terra do Nunca, onde nada nunca acontece. Mas ninguém lhe perguntaria. Há tempos ele esquecera o mundo, assim como o mundo o esquecera. Quem esqueceu quem primeiro? Que diferença isso faz? Ambos viviam desconexos. E viviam? O mundo, talvez; ele.
Três meses se passaram e nada aconteceu. Se não vivia, ou se vivia quase sem viver, ou se sobrevivia, ou se morria, ou se... por que essa ânsia em contabilizar o tempo? Um, dois, três meses. Que diferença isso faz? Talvez fosse como o louco por quem, certo dia, passara. O louco, do lado de dentro do pátio do hospício, através das grades, perguntou se ele tinha horas, e ele, do lado de fora do pátio do hospício, através das grades, muito docemente, perguntou se ele iria a algum lugar.
Três meses se passaram e nada aconteceu. Nem uma única palavra dita. Nem uma única linha escrita. Toda aquela dor não motivou nada? Todo aquele desespero em sair correndo ao ver o táxi partir, em entrar no primeiro supermecado e comprar a primeira caneta e o primeiro bloco que viu pela frente porque precisava vomitar coisas sobre dragões e sobre avencas não resultou em nada? E depois acordar de madrugada sem ao menos ter dormido pra atravessar a cidade e chegar ao aeroporto antes que o vôo partisse apenas para... não gerou nada? Que diferença isso faz?
Três meses se passaram e nada aconteceu. E não faz diferença em que mundo ele vive-sobrevive-morre. E não faz diferença se ele está dentro ou fora do pátio do hospício. E não faz diferença se tudo deu em nada. Porque nada nunca acontece.
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